Quando você anda de carros pelas ruas de São Luís e se depara inúmeros congestionamentos, uma frase tem se tornado quase que obrigatória: “Tem muito carro na cidade!”.
É verdade, nos últimos anos com a facilidade do acesso ao crédito e o pagamento cada vez mais alongado (60, 72 ou até 80 vezes) uma parcela da população, inclusive eu, consegui adquirir um automóvel, antes um artigo para poucos, muito poucos...
Nesse cenário, nos últimos anos uma enxurrada de carros invadiu as ruas de São Luís, saturando as vias da cidade.
Beleza.
Mas pense comigo. Desde que eu me entendo por gente, a maioria das avenidas de São Luís continuam as mesmas, no máximo um serviço de recapeamento e sinalização foi realizado.
São poucos os exemplos de adaptações da cidade as novas configurações urbanas e sociais que os novos tempos pedem. Alguns elevados foram construídos e outras poucas medidas feitas. Aparentemente apenas isso.
Na grande maioria dos casos nada efetivamente não foi concretizado, sequer uma via alargada ou construída.
Vejamos alguns exemplos.
1. Desde criança passo pelo bairro do João Paulo (tenho hoje 25 anos) e no máximo um serviço de drenagem e recapeamento foi feito. Por lá possuem dois colégios e uma feira que causa inúmeros transtornos ao trânsito.
2. No Anil, antes o problema era apenas o afunilamento das faixas na altura do Posto Médico. Piorou com a construção do Cest e, praticamente, a interdição da Av. Santos Dumont, principal acesso entre o Anil e a Av. Guajajara . Agora, em frente ao Lítero uma nova zona de conflito tem dado transtorna aos motoristas e passageiros dos ônibus. Lembre-se, aquela a avenida é a principal ligação entre o Centro e a Cohab.
3. Av. Jerônimo de Albuquerque, maior via da cidade em distância e fluxo de veículos possui apenas duas mãos em cada faixa. Muito pouco pela importância e quantidade de veículos que trafegam nela. Lembrando a Av. Jerônimo de Albuquerque liga a área da cidade que mais cresce.
Mas como amenizar essa situação?
Escuto discussões acerca da metropolização, mas como ser grande se pensamos ainda como uma cidade provinciana.
Ouvi falar sobre rodízio de veículos. Em São Paulo foi implantado a política do rodízio, depois que várias medidas já tinham sido realizadas (elevados, túneis, vias extras, etc.) e outras ainda em construção.
E em São Luís?
Medidas de disciplinamento do transito foram realizadas que, em alguns casos realmente foram eficazes, mas são apenas medidas paliativas (tudo no Brasil é paliativo, cotas nas universidades, Sisu, etc.)
Não estou escrevendo como um motorista frustrado por não poder trafegar pelas ruas da cidade com liberdade, apenas como alguém que antes de reclamar o óbvio, analisa a situação.
Antes de por culpa carros, que realmente entopem as ruas da cidade, vejamos a inércia dos poderes públicos em modernizar a cidade e adaptá-la aos novos tempos que batem a porta.